Para aquele que desperta o melhor de mim

Eu estava na estrada, sem nenhuma iluminação. Aquelas estradas que dá gosto dirigir, e aquele momento que a gente vê que o céu tem muito mais estrelas do que podemos contar. Daí eu lembrei de você.

Lembrei de como me explicava com paciência que o céu é diferente no hemisfério norte, e que aqueles três planetas que eu via alinhadinhos no céu, talvez você não conseguisse ver.

Lembrei de como a gente dava risada das mesmas coisas, de como as minhas piadas eram ruins mas as suas eram piores. De como eu me sentia protegida quando deitava no fortinho do seu peito. Se eu fechasse os olhos, podia lembrar de como seu cheiro me fazia sentir paz.

Eu passei uma hora em silêncio, pensando em uma porção de coisas bobas, daí, as vezes eu sorria, mas a cada novo pensamento, meu peito apertava de um jeito, que não era saudade.

Sei lá, acho que saudade existe pra gente escrever poesia bonita, pra dar abraço mais forte, pra ter esperança, pra descobrir que amar não é só verbo. E não era saudade.

Era dor.

Não dor física. Ela estava bem alojadinha em um canto do peito.

Era dor por saber quantas histórias nós escolhemos não escrever. Quantas coisas escolhemos não fazer. Era dor porque eu sabia que você sentia que eu merecia o melhor, e mesmo que arriscasse ficar, você sentia que o melhor que eu merecia, não era você. Mesmo que eu soubesse que era sim.

Era dor por não saber. Não saber se iríamos cansar de nós dois daqui 10 anos, não saber se daqui um tempo você continuaria fingindo que não conhecia as minhas piadas só pra me ver rir, não saber se você ainda repetiria as falas do filme com sotaque engraçado… Era dor por saber que era amor, mas a gente escolheu deixar pra lá.

Não sei se existem outras vidas, porque agora eu to vivendo essa aqui onde eu te encontrei. Mas eu sei que eu vou ficar olhando para o mesmo lugar. O tempo vai passar, tudo vai mudar, e eu ainda vou estar aqui, do lado dessa vírgula com cara de ponto final, que a gente colocou na nossa história pra podermos acreditar que era o fim, e seguir em paz.

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