Para aquele que tem medo de amar

Você me disse outro dia que tinha medo de se apaixonar. E te fizeram acreditar que na verdade você tinha medo da dor.

Não é a dor. A dor te torna humano. A dor te faz decidir. Ou luta para sobreviver, ou entrega os pontos. Ou vive a dor, ou faz ela passar.

Essa pessoa estava errada. O seu medo é da perda. Todos nós temos medo da perda.

E é por isso que você sente tanto medo de se apaixonar. É por isso que você não espera nada de ninguém.

Porque… E se você se apaixonar e descobrir como é gostoso receber amor? E se você descobrir como é bom ter alguém cuidando de você? E se você sentir vontade de passar o resto da vida do lado de uma só pessoa?

E se, depois que seu coração estiver completo, e em paz, tudo isso for tirado de você? A ideia de doar seu melhor para alguém que te faz ser uma pessoa melhor, te assusta porque você não quer se perder.

Muito menos perder coisas que você não imaginava ter, coisas que você sabia viver sem, coisas que sequer imaginava que existiam, mas tornou-se dependente.

Por isso que dizem que o amor é uma droga. É clichê, tem até um pouco de poesia, mas o amor e tudo o que vem com ele, vicia. Acalma o coração, traz paz. E nós não estamos preparados pra paz, porque fomos criados em um mundo onde a calmaria é o prenúncio da tempestade, só que nós gostamos da paz, apenas não queremos o que vem depois. Nós então aprendemos a cruzar os braços e permanecer inertes em função disso.

Criamos regras, decidimos que é necessário tempo pra organizar as gavetas, as ideias, os sentimentos e nos tornamos vazios por medo de transbordar.

Até que aparece alguém, porque o mundo não cansa de nos surpreender.

E é alguém que te preenche e te completa, sem transbordar. Alguém que te torna mais humano, sem dor, alguém que te faz sorrir, sem pretensão, alguém que te vira do avesso com a precisão de um cirurgião e a inocência de uma criança. Alguém que você não estava procurando, mas também não estava se escondendo. Alguém que você deixou te encontrar.

E não é a procura, mas é quem encontramos no meio do caminho. Não é o que inventamos sobre as pessoas, mas é quem elas querem que sejamos capazes de amar. Não é o que elas deixam, mas o que elas levam. A forma como elas levam.

E então, se nada dá certo, fica um vazio. Como um grande armário cheio de novas gavetas e novas prateleiras, com um monte de espaço para recomeçar.

Prateleiras que precisarão ser preenchidas outra vez com todas as coisas boas que esse alguém incrível, te ensinou a gostar.

E se eu puder te dar um conselho: Ninguém deveria esperar a hora certa pra começar a ser feliz pra sempre. Ainda que “sempre” seja apenas uma hipótese, felicidade é sempre uma certeza. E quanto ao medo, ele sempre vai te impedir de pular, mas o sabor da adrenalina, é único, e eu sou incapaz de te explicar como é, então hoje, você vai precisar se jogar.

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