Para aquele que não entende o próprio coração

Verborrágica.

Em poucas palavras, o dicionário diz que é alguém que usa quantidade excessiva de palavras para dizer coisas sem importância. É assim que você me chama.
Poucos xingamentos me ofendem mais do que esse. E ainda que eu o chame de sucinto, de mudo, ou de calado, isso não o ofenderia tanto, quanto você faz ao dizer que falo coisas sem importância quando estou brava.

Foi a minha verborragia que deu espaço para todas nossas discussões infindáveis sobre religião e política, assuntos o qual eu não discuto com ninguém, por não gostar de conflitos tão díspares com pessoas que eu quero tanto estar junto. Mas quando a gente conversa sobre esses assuntos, chegamos sempre a um senso comum e coerente.

Com você, eu gosto de estar junto. Gosto das nossas competições ridículas de bandas, enquanto você toca o violão e eu tento lembrar a letra das músicas. Gosto de como toda conversa tem começo, meio e fim. Gosto do quanto você fala mais do que eu, e ainda assim, tem coragem de dizer que eu sofro patologicamente de verborragia.

Me espanta saber que você apenas me guardava na sua gaveta para quando estivesse preparado pra mim. Confesso que fico surpresa ao descobrir sem querer, que você nutriu um sentimento por tanto tempo, e não fez absolutamente nada sobre isso, chegando ao seu limite, no exato momento em que eu disse que estava apaixonada por alguém.

Justo eu, que você sempre soube que havia nascido pra amar. Que bastava ter a sorte de encontrar a pessoa certa.

Não que vá mudar algo agora, porque o que sinto por você, é a amizade mais sincera que já existiu, mas eu devo te dizer que já vi grandes amores deixarem de acontecer, por falta de coragem.

Coragem de assumir pra si o que está sentindo, coragem de arriscar falar de amor ao invés de guardar para si, coragem de lutar por algo que se deseja com a mesma força do medo que te assombra, coragem de enfrentar algo por alguém, coragem de dizer o que se sente olhando nos olhos, coragem de apostar suas fichas em alguma coisa que valha a pena a aposta, coragem de viver o agora, por medo do amanhã não existir. Coragem de não aceitar a intensidade da vida, só pelo conforto de viver pra sempre em uma zona morna.

Tem gente que acha que viver plenamente é ter um carro, um bom emprego, uma casa na capital e outra nas montanhas, contato com a família aos finais de semana, e um relacionamento suficientemente suportável, para preencher as lacunas vazias dos domingos à noite. Eu não sei viver assim. E você não se arrisca. Deixa as coisas irem e virem, sem sequer pegar carona em uma onda dessas, por medo de não conseguir controlar.

A minha vida, é do tamanho da minha intensidade. E mesmo que no fim da vida, eu não tenha uma carreira brilhante, uma conta bancária de invejar, e um passaporte com todas folhas carimbadas, eu espero ter histórias inesquecíveis pra contar, e pouco tempo para redigí-las em um livro. Não sei ao certo se terei tempo suficiente para plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, mas tenho certeza absoluta de que terei tempo de sobra pra ser feliz. Terei tempo de sobra para mergulhar de cabeça na vida, pra viver cada sentimento, pra amar cada pessoa que a vida me permitir amar. Porque eu sou intensa, porque eu não tenho medo e isso faz com que eu não permita que os bons momentos passem calados, bem debaixo do meu nariz.

Porque eu sou de humanas, e mais humano do que acreditar em conto de fadas, é esperar a hora que ele vai acontecer.

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