Para aquela que cresceu comigo

Quando tínhamos 3 anos, nossas mães viraram amigas antes da gente.
Aos poucos, você se tornou aquela “amiguinha” da escola que eu olhava de longe e dava um tchauzinho tímido. O tempo passou e nos tornamos mais amigas que as nossas mães e juntas, nos tornamos também invencíveis, porque a vida me fez Batman e te fez Mulher Maravilha, então você passou a ser aquela que encarava os meus castigos junto comigo, que desviava o caminho do ballet pra dar aquela força na paquera sem futuro da oitava série, que ficava horas no telefone falando sobre boyband, que se arriscava e fracassava na cozinha junto comigo, e que compartilhava todos aqueles problemas de adolescente dos anos 90 que ainda sentimos saudades de ter.

A amiga que passava cola, que invocava a loira do banheiro, ou que ficava loira no banheiro da escola durante a aula vaga, que matava aula pra comer pastel, que invadia casas alheias e pulava a janela pra fugir, que me acompanhava nas matinês de domingo, que dormia junto no melhor estilo acampamento, que tomava banho de mar no fim de semana, que acabava com um pacote de chiclete pela aposta de fazer a maior bola de chiclete do mundo.

Amiga que sofreu junto com o primeiro coração partido, que sobreviveu a primeira briga, que se afastou, que voltou, que perdoou as falhas, compreendeu os erros, que segura as pontas, a onda, a barra, que dá bronca, e que tá lá. Independente de todas as diferenças que nos colocam em mundos tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, é amiga que tá lá. E nem sempre é com o abraço, o ombro e algumas palavras doces, às vezes é com o chinelo na mão e a dancinha do “eu avisei”, mas independente de concordar ou discordar, está sempre pronta pra correr ao lado, seja para alcançar um objetivo, seja para fugir da polícia.

Não são só 28 anos de histórias, de encontros e desencontros. É a certeza de que a vida é curta demais e o mundo muito pequeno, para vivermos tudo o que precisamos viver.

É olhar para uma história de vida e perceber que sem querer, sem pretensão e sem planejar, colhemos frutos de algo que começamos a semear quando éramos jovens demais para pensar no futuro.

É olhar pra frente, e perceber que a cola da escola, virou a ajuda da vida. Que as conversas ao telefone, viraram o ombro macio em momentos de desespero. Que as baladas na matinê de domingo, viraram o jantar no sábado à noite, regado a vinho, risadas e amor. É ver que os rabiscos que fazíamos, com um monte de desejos adolescentes, se tornaram vários sonhos realizados. Talvez o príncipe encantado não tenha vindo em um cavalo branco como a Disney prometeu, talvez os perrengues tenham sido maiores do que prevíamos, mas tudo aconteceu na hora certa, do jeito que precisava ser, sem tédio e cheio de intervalos para as risadas, pois foram os intervalos que nos salvaram da vida adulta.

Nós duas, que nunca fomos princesas da Disney, mas sempre acreditamos em conto de fadas, construímos um conto diferente do que qualquer livro poderia escrever. Escrevemos um conto de amizade. E isso, só me faz ter a certeza de que essa história que já tem 28 anos, está só no começo. Talvez não estejamos aptas a virar adultas, e continuemos sendo Batman e Mulher Maravilha, mas o que sempre vai importar, são todas as histórias que estamos escrevendo, para poder contar.

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