Para aqueles que me deram a mão

Quando a gente nasce, não escolhe os amigos.
Daí você começa a andar, a falar, e descobre que os seus melhores amigos são aqueles que nunca, nem sequer por um segundo, permitiriam que você não tivesse uma mão para segurar.

E então, seus melhores amigos te soltam para o mundo, e te levam para a escola, com material etiquetado e mochila nas costas. E na aula de artes, você descobre que seus lápis de cor não são suficientes e que seu desenho ficaria muito mais bonito se tivesse mais cor.

E é dividindo uma caixinha de lápis de cor com alguém, que você descobre o que é ter um novo amigo. Não mais aquele que a vida te deu quando nasceu, mas aquele que a vida te permitiu escolher. E então você aprende que amizade é completar.

Você cresce. E aprende que seus pais sempre serão seus melhores amigos. Eles sempre estarão ali para segurar sua mão quando o mundo desabar. Sempre farão de tudo para colocar um sorriso no seu rosto, quando sua cabeça estiver baixa e o coração estiver partido.

Mas os amigos que a vida te deixa escolher…

Esses não vão perguntar quais são os seus problemas ou quais são seus planos. Eles não vão querer saber se você está chorando, mas vão entender sua cara amarrada, e vão sentar do seu lado para assistir programa ruim na televisão, até você sentir que está preparada o suficiente para comer um pedaço de pizza e fazer a vida andar novamente.

Eles vão entender que você nunca desejou ser perfeito, e vão perdoar sua falta de jeito para lidar com o mundo, fingindo que é normal odiar a humanidade de vez em quando. E mesmo sabendo que você não leva jeito algum para fazer contas de cabeça, que canta música do Jorge Ben errado e que odeia produtos de limpeza, vão te amar. Porque completar alguém que é incompleto, é preencher aquela pessoa de tudo o que falta nela e sobra em você. E amizade é relevar as falhas e amar, mesmo que de um jeito torto, até aqueles defeitos esquisitos, que você sabe que nem um bom namorado é capaz de aguentar.

Amigos vão selar um compromisso invisível com você, e embora saibam de todos os seus defeitos, vão prometer rir quando você não tiver força de fazer festa, e segurar a caixa de lencinhos na calçada, quando você decidir chorar e falar impropérios sobre o mundo. E daí, quando o choro cessar, eles vão te mostrar que as coisas são muito melhores do que você é capaz de enxergar enquanto está com os olhos inchados.

Vão guardar os seus segredos, vão fingir que você é normal, e nas horas vagas, vão molhar os pés na piscina com você, enquanto insistem que seus planos pra vida podem não dar certo e que talvez você esteja sonhando mais do que deveria estar.

E daí, quando tudo der errado, porque talvez dê, eles estarão por lá para dizer que já sabiam, mas que “tudo bem” começar a sonhar outra vez.

Eles não vão substituir seus pais, irmãos, primos, mas vão somar cada vez mais laços a sua vida, e vão mostrando pra você que família, algumas vezes, a gente escolhe sim. E se por acaso algo der muito errado, e eles não puderem segurar a onda pra você, eles estarão sentados do seu lado, seja na porta da delegacia, ou na porta do hospital, só pra contar uma piada boba, e garantir que o seu sorriso ainda mora no mesmo lugar. Só para te lembrar de não ter medo, de não recuar, de não fugir, mas que não há problema nenhum se você decidir se esconder, e se isso por acaso acontecer, eles prometem estar por lá, com uma arma de dardos na mão, enfrentando todos os fantasmas, até você voltar a ser você outra vez.

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