Para aquele que me trouxe paz

Eu tirei um tempo para me descobrir. Aprender mais sobre o que eu gostava e não gostava, pra conhecer um pouco de mundo, recuperar minha fé nas pessoas, pra mudar de opinião. Eu queria saber quem eu era de verdade, queria me encontrar, e eu me encontrei.

Eu já tinha certeza absoluta que gostava de sorvete de Pistache, que ouvia todo tipo de música mas era o jazz que mexia com meu coração, comecei a gostar de dirigir sem rota traçada, e descobri que a praia era o lugar onde eu podia ver que as minhas asas eram maiores do que o mundo.

Sabe quando você se sente completa? Eu estava completa, não faltava nenhum pedaço. Nem mesmo os pedaços que haviam tirado de mim. Tudo estava no lugar, a cabeça, o coração, a academia estava em dia, as contas pagas, as decisões tomadas.

Não havia espaço para mais nada, para mais ninguém. Até você aparecer. E você apareceu virando a minha vida do avesso, agarrou todas as minhas vontades mais egoístas e organizou coisas que eu nem sabia que estavam em desordem.

Então eu comecei a sabotar todos os meus planos de ser só eu, de me encontrar, de devorar o mundo. Sabe quando você entra na montanha-russa pela primeira vez? Eu estava com aquele frio na barriga. Aquela preocupação do que viria pela frente, o medo de passar mal, de sair cheia de náuseas, de não querer repetir outra vez. Medo de sair machucada, assustada, perdida.

Eu tinha me preparado para tudo, mas não para você.

Aí eu abri um espaço só seu no meu universo particular, fechei os olhos e entrei na brincadeira, deixei você com o melhor e o pior de mim, permiti que você entrasse, mas deixei a porta entre-aberta para que você fosse embora quando descobrisse que eu tinha medo do mundo, deixei você ver que eu era frágil e que eu precisava mais de você, do que você de mim.

E você foi embora.

Agora estou tentando preencher o vazio que você deixou quando saiu. Porque dessa vez eu sou completa, mas o espaço que eu deixei pra você, parece que não tem festa, bar ou amigos que preencham.

E como faz falta lembrar de você me olhando, das borboletas no estômago, da vontade que eu tinha de dizer que te amava. Como faz falta sentir o coração saltar do peito toda vez que você me chamava de “minha”. Como faz falta preencher (de você) esse espaço que eu nem sabia que estava vazio na minha vida.

O tempo já foi meu amigo tantas vezes que agora eu fico olhando para o relógio procurando uma dose de sossego para o barulho que você faz no meu coração, como quem fica esperando a paz entrar pela porta, pra dizer que voltou e que vai ficar do meu lado até o sol nascer.

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